quinta-feira, 5 de maio de 2011

Texto de Lázaro Ramos para o encerramento da temporada na Sala do Coro do TCA

*escrito dia 1º/maio/2011:

                                          foto: Sandra Delgado


Hoje é o último dia de Namíbia, não! no Teatro Castro Alves. Ficamos muito felizes com a temporada e com a recepção que a sala do coro nos deu. Obrigado. Foi bom perceber que o espetáculo de uma maneira bem humorada conseguiu provocar reflexões.

Muito foi dito sobre Namíbia,não! nesses meses. Inclusive besteiras. Disseram que o atrativo do espetáculo era Flávio Bauraqui e eu sermos de televisão, mas esta é uma visão curta e desrespeitosa, já que tanto eu quanto Flávio somos cozidos nos palcos, e eu até hoje digo que estou emprestado ao mundo, mas sou do teatro. Disseram que o texto "isso ou aquilo", mas tenho de afirmar que me orgulho muito de estar junto a Aldri nesta sua bela estreia como autor teatral.

Eu acredito que o interesse das pessoas por Namíbia,não! deu-se principalmente por causa do tema. Mas falar dessa pequena parcela (besteiras alheias) é ser injusto com tudo de bom que escutamos e recebemos de quem viu o espetáculo.

Da estreia ao encerramento, a nossa plateia esteve sempre cheia. Esse é um motivo de alegria, pelo qual temos de agradecer. Afinal, nesses tempos tão difíceis de provocar interesse por um espetáculo de teatro, Namíbia, não! cumpriu muito bem seu objetivo.

Muitos sorriram. Discussões sobre a temática foram travadas. Meus queridos amigos Aldri e Flávio cresceram a cada apresentação. A equipe técnica e de divulgação se empenharam para levar o nosso melhor possível até o público. Que bom!

O espetáculo não desejar ser 'a resposta', mas sim uma pergunta. E a provocação é para que o público reflita sobre o tema. As perguntas vieram. A principal foi: será que existem apenas dois pontos de vista ao falarmos de negritude no Brasil?

Criamos Namíbia,não! com o nosso melhor possível. Acima de tudo, com o respeito ao teatro. Fomos à luta e demos a cara a tapa. Muito bom ter a oportunidade de realizar e se jogar no risco - que é estar no palco e não apenas falando sem agir. Ou sem a possibilidade disso. Porque teatro se faz é no palco.

No programa do espetáculo temos vários textos. Ficamos na dúvida se publicávamos o que foi escrito por um dos nossos incentivadores, o ator Sérgio Brito, pois é um texto triste. Sugiro a quem tiver o programa impresso do espetáculo ler o texto de Sérgio. Ele ofereceu o texto ao amigo que morreu. Hoje também ofereço Namíbia, não! à memória desse amigo de Sérgio. Um cara que nos estimula a não parar e a sempre escolher o teatro.

Não podemos parar. Aprendemos muito com essa primeira temporada. Algumas mudanças foram feitas e queremos continuar. Por isso estamos indo para o teatro Martim Gonçalves a partir da próxima semana, dia 6/maio.

Obrigado por todas as mensagens carinhosas. Obrigado pelos conselhos respeitosos e que continuemos a amar o teatro.
Lázaro

Um comentário:

Aldri disse...

Impressionante como o teatro tem o poder de mobilização! A mobilidade do pensamento pode nos levar a caminhos novos. A maneira que você articulou as imagens e idéias do texto Namíbia,Não! provoca essa mobilidade nos espectadores. Testemunho... isso ao final de cada apresentação, ao observar os olhos mobilizados da nossa plateia! Orgulho-me também de ter você, Flávio e toda nossa dedicada equipe, como parceiros nessa jornada! Vamos mobilizar ainda mais os pensamentos nesta nova temporada no Teatro Martim Gonçalves, que se inicia a partir de 06 de maio!
Aldri Anunciação