sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Yvonne Maggie comenta a peça na sua coluna no G1

Yvonne Maggie é colunista do Portal G1. Professora titular do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e autora dos livros "Guerra de orixá", editado pela Zahar, e "Medo do feitiço", publicado pelo Arquivo Nacional. Coautora dos livros "Raça como retórica" e "Divisões perigosas", ambos pela Civilização Brasileira. 


Ela viu Namíbia,Não! durante temporada no Oi Futuro Ipanema e escreveu o texto-comentário a seguir:


http://g1.globo.com/platb/yvonnemaggie/2011/12/09/%E2%80%9Cnamibia-nao%E2%80%9D/




Um comentário:

ROSELI disse...

“Namíbia, não!” é um espetáculo maravilhoso, assisti três vezes e foi uma pena ter ficado apenas um mês em cartaz no Rio de Janeiro. Em agosto deste ano por ocasião do CONLAB, amigos, professores da UFBA e UNEB, tinham me recomendado assisti-lo em Salvador, mas, infelizmente, tinha acabado de sair de cartaz. Fiquei arrasada! Mas, para a minha alegria “Namíbia” estreou no Rio de Janeiro. Flavio Bauraqui e Aldri Anunciação arrebentam na interpretação, merecem o reconhecimento que estão tendo do público e da crítica. Lázaro Ramos, como sempre, extremamente talentoso em tudo que faz. Realmente o Teatro Oi Futuro Ipanema nunca deve ter recebido tanta gente com “melanina acentuada” como no mês de novembro deste ano. O teatro estava mais colorido, parecido com a cara do Brasil. Foi emocionante! Com relação ao comentário da socióloga Yvonne Maggie, discordo de que o autor tenha pensado na banca da UNB (que não é formada apenas por antropólogos) quando escolheu uma socióloga para dizer quem é que deve voltar a África por ter “melanina acentuada”. Creio que a escolha se deva justamente porque tem sido essa categoria profissional a escolhida pela elite branca historicamente privilegiada por sua condição etnicorracial para dar pareceres acerca da implementação de políticas de cotas raciais no Brasil. Embora, não representem a maioria, são os sociólogos e antropólogos que têm tido o reconhecimento e legitimidade nos espaços (brancos) acadêmicos e na mídia (branca) para defenderem a posição da manutenção do status quo racial brasileiro. Desprezam os alarmantes índices de desigualdades raciais em nome da falsa democracia racial. Contestam as “cotas raciais” e, embora, afirmem ser ativistas contra o racismo, não oferecem nenhuma alternativa de enfretamento das desigualdades raciais. Ao contrário, defendem a falácia da meritocracia, que mantém desde a proclamação da República os negros (os de melanina acentuada) no mesmo lugar social. Creio que o autor, pela sua história, jamais, mesmo que pessoalmente discorde da tal banca da UNB, colocaria essa questão como relevante para o debate do preconceito racial no Brasil. Bem, este é mais um ponto a favor do espetáculo “Namíbia, Não!”, a provocação inteligente de debates e reflexões acerca da discriminação racial no Brasil e no mundo. PARABÉNS a todo o elenco de “Namíbia” e no mês janeiro estarei de novo aplaudindo na “fila do gargarejo”. Sucesso!