terça-feira, 16 de julho de 2013

Namíbia, Não!: Livro

O espetáculo Namíbia, Não! na encenação do também ator Lázaro Ramos, aproxima-se dos 3 anos de sucesso de público, crítica e de serviço social na divulgação de questões ligadas ao racismo, ao preconceito e as relações identitárias. Mais do que divulgar, Namíbia, Não! exerce um papel fundamental no processo de reflexão que desemboca num inovador e sofisticado instrumento educacional. São inúmeros os casos de depoimentos de negros e brancos que após assistirem Namíbia, Não! experimentaram uma nova atitude em relação a si mesmos, às questões que o espetáculo toca e em situações sociais em que o preconceito aflora. Trata-se de uma peça teatral, uma obra de arte teatral com potência agregadora e pacificadora. Ao contrário do que comumente ocorre em ações que tratam de racismo, preconceito, a questão do negro no Brasil ou relações identitárias, a peça escrita pelo baiano Aldri Anunciação consegue atrair públicos que jamais teriam interesse no assunto e faz, sentarem na mesma poltrona, etnias avessas, pensamentos contrários, classes sociais distintas numa ação revolucionária e altamente política. Tudo isto, com teatro de altíssimo nível e com uma dramaturgia que figura entre as de maior destaque na dramaturgia brasileira contemporânea.
Vencedor de vários prêmios, como o Braskem Salvador/BA de melhor texto em 2011, Prêmio FAPEX de Teatro de 2010, Prêmio R7 - São Paulo de melhor texto em 2012, Namíbia, Não! foi publicado em livro pela Editora EDUFBA em 2011 o que garantiu a ampliação do alcance do projeto por via literária. Já são mais 1000 (mil) exemplares vendidos ou doados nos sete estados brasileiros em o espetáculo circulou (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Ceará e Bahia) além de Portugal e Alemanha. Tornou-se leitura obrigatória para os estudantes do primeiro semestre de direção teatral do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia por decisão da Profª. Drª Cleise Mendes (também autora do prefácio do livro). A crítica brasileira Barbara Heliodora, em crítica no Jornal O Globo declarou: "Já tendo merecido premiações, o texto apresenta um número de méritos que compensam largamente aquelas suas deficiências mais ou menos inevitáveis em um autor estreante (ao menos em teatro adulto)." e completa: "Grata contribuição à dramaturgia em 2011". Em 2013, o texto está sendo preparado para sua primeira publicação em outro idioma, o alemão. Quem trabalha na tradução é o Prof. Dr. Henry Thorau, professor de Ciências da Cultura Brasileira e Portuguesa na Universidade Trier, editor e tradutor dos livros e obras teatrais de Augusto Boal e de Nelson Rodrigues. Em recente evento no Lateinamerika-Institut da Freie Universität Berlin que contou com a presença do Prof. Dr. Marcio Seligmann-Silva (UNICAMP-BRASIL), Ms Maria Lidola (FU-Berlin), Ms Leonel Henckes (UFBA-Bahia) e o autor Aldri Anunciação, o Prof Thorau declarou empolgado que "mesmo que Aldri não escreva mais nenhuma obra, já entrou para a história do Teatro Brasileiro e inaugurou um novo paradigma para o teatro político brasileiro." 
Recentemente, na apresentação do espetáculo no Teatro Nacional São João na cidade do Porto - Portugal, uma expectadora estasiada procurou Aldri para dizer o quão importante tinha sido para ela assistir ao espetáculo. Professora, disse que era necessário que este texto fosse estudado em todas as escolas portuguesas e seguiu discorrendo sobre as inúmeras associações possíveis a partir do texto e que vão muito além da questão da afro-descendência no Brasil. Tocam em profundos problemas da sociedade europeia, o problema das imigrações, a questão do sentimento de pertença a determinada etnia ou grupo social, as políticas migratórias e exploratórias e etc. Para reforçar a discussão, trago o exemplo da Alemanha que sofre um processo da Namíbia (que foi colônia alemã) pela devolução dos ossos de cidadãos da Namíbia levados para a Alemanha para estudos científicos no século XIX. A Alemanha está sendo solicitada a devolver à Africa "cidadãos" de lá furtados. Mais um exemplo, é a situação da comunidade Turca em Berlin. Uma comunidade que já nasceu em terras germânicas em quarta geração, mas, continua presa a Turquia. As crianças vivem uma profunda crise uma vez nasceram na Alemanha, mas, seguem sendo Turcos, até por exigência da família ou em função da burocracia que não os reconhece como alemães até que tenham 18 anos e possam optar por uma cidadania. Muitas vezes não aprendem corretamente nem o idioma alemão e nem o turco vivendo eternamente na fronteira. São muitos outros os exemplos possíveis que vão, inclusive, ao Sul do Brasil com as colônias de imigrantes.
E Namíbia não para. Recentemente em Londres, a peça foi citada por um britânico que trabalha na City of London Corporation no evento ‘Brasil nos olhos da midia’ na King’s College e despertou o interesse dos presentes que buscam meios de levar o espetáculo para àquele País.
Por estas e outras é que Namíbia, Não! tornou-se uma obra de arte necessária e obrigatória para todo cidadão brasileiro, seja por meio do teatro ou por meio do Livro.

Link para adquirir o livro: http://www.namibianao.com.br/p/livro.html

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